No Caminho, acreditamos que partimos para nos encontrarmos a nós próprios.
E, no entanto, são muitas vezes aqueles que deixámos para trás que mais caminham connosco.
A cada nascer do sol, no silêncio dos trilhos, no cansaço dos últimos quilómetros, os seus rostos regressam. Uma mãe, um pai, os filhos, um companheiro, os amigos, também os ausentes… Aqueles que amamos, aqueles que perdemos, aqueles em quem pensamos sem cessar.
Descobrimos então que caminhar não é afastar-se.
É medir a profundidade dos nossos laços.
O Caminho despoja-nos de muitas coisas: do conforto, das certezas, das máscaras, por vezes. Mas revela uma verdade simples e comovente: somos feitos dos outros. Trazemos em nós as suas palavras, os seus gestos, as suas feridas e o seu amor.
Há noites em que o coração aperta mais do que os pés doem. Daríamos tudo por um abraço, por uma presença familiar, por ouvir uma voz amada. E compreendemos que a saudade não é uma fraqueza.
Ela é a prova de que a nossa vida é tecida por laços preciosos.
Talvez o milagre de Compostela seja compreender, ao longo dos quilómetros, que aqueles que amamos nunca ficaram verdadeiramente para trás.
Eles caminham na nossa respiração.
Avançam nas nossas orações.
Habitam cada um dos nossos passos.

Sandra