O caminho de Compostela faz parte da minha lista de sonhos a realizar há mais de dez anos. A vontade nasceu depois de ver os filmes The Way e Saint-Jacques… La Mecque. Estas histórias despertaram em mim algo profundo, um apelo difícil de explicar, mas impossível de esquecer.
Depois, há cinco anos, conheci o Olivier, o eleito do meu coração, este homem carismático com quem partilho hoje a minha vida. Sempre que o ouço falar com paixão — e muitas vezes com uma ponta de nostalgia — da sua experiência do caminho percorrido em 2018, a minha vontade cresce ainda mais.
Houve também a leitura do livro Plus jamais sans moi, há dois anos. Nessa altura, atravessava momentos de dúvida, de desconforto, com muitos questionamentos sobre o sentido da vida. Repetia-me então: « Um dia, também eu farei este caminho… quando for o momento certo. »
Mas essa espera do "bom momento", aquela que nos faz adiar o que mais nos importa, era sobretudo um pretexto. Um pretexto misturado com os meus medos, nomeadamente sobre a segurança no caminho.
E depois chegou março de 2026. Precisamente o dia 7 de março, durante uma mamografia de rotina, anunciaram-me: « Tem uma massa opaca na mama esquerda. »
Nesse dia, algo mudou em mim. Decidi que não esperaria mais para viver o que verdadeiramente importa.
Alguns dias depois, conversando com o meu amigo Emmanuel, que também percorreu o caminho desde a sua região de origem, uma evidência impôs-se: o meu caminho seria o caminho português, o do meu país natal.
O caminho de Compostela é frequentemente descrito como um encontro consigo mesmo, uma religação a si. Então, para mim, faz todo o sentido começar onde nasci… onde tudo começou.
Acredito profundamente que o caminho nos chama, e que decidimos quando estamos prontos. Foi naturalmente que partilhei a ideia deste projeto com a minha amiga Vera. Ela ficou entusiasmada por mim. Propus-lhe juntar-se a mim no caminho alguns dias… e ela aceitou.
Decidi seguir a Sandra para a acompanhar nesta bela aventura e partilhar uma experiência que, acredito, será inesquecível.
Somos amigas há muito tempo, e mesmo se os nossos caminhos são diferentes, eles encontram-se em muitos pontos. Pareceu-me natural estar a seu lado para percorrer esta aventura juntas, em memória de todos os momentos difíceis, mas também de todas as maravilhosas memórias que já partilhámos.
A Sandra tem sempre as palavras certas para me ajudar a avançar e me empurrar a dar o melhor de mim. É também a minha forma de lhe mostrar que estarei sempre lá para ela, mesmo quando as palavras me faltam.
Quanto a mim, esta aventura é uma forma de me superar, de sair da minha zona de conforto e de me provar que consigo, mesmo quando é difícil. É uma transição entre a minha vida de antes e a que começa hoje.
Um adeus ao meu passado, um olá ao meu futuro, mas sobretudo uma bela bem-vinda ao meu presente, que quero acolher com amor e confiança, pois tenho a certeza de que será belo.